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O teatro nosso de cada dia

 
Talvez você não saiba: o teatro pode fazer com que você se apaixone pela vida. Quer a prova científica deste axioma? Corra para ver O como e o porquê, de Sarah Treem, cartaz do Teatro Ginástico. A peça, uma incursão admirável por incandescentes campos de contato entre a comunidade intelectual, científica, e a rotina cotidiana, a vidinha corriqueira, deixa isto muito claro. É teatro de paixão em estado puro. Portanto, atenção – a temporada está no fim, talvez continue num outro teatro, mas não arrisque perder, vai fazer falta na sua alma, é uma vertigem teatral imperdível.

 

A vertigem começa com o desempenho sincero, intenso, requintado e irônico de Suzana Faini, capaz de traduzir uma cientista de carreira brilhante, Zelda, no momento exato de seu ápice e do início do seu declínio, desempenho modulado em tons expressivos de uma delicadeza impressionante. Atriz admirável, ela revela uma acadêmica do nosso tempo, sem tirar nem por, mas é também a mulher vivida das batalhas afetivas do século. Ao seu lado, a jovem Alice Steinbruck acompanha a batida, não reduz o nível da arte e materializa Raquel, uma estudante enigmática, a um só tempo ambiciosa e hesitante, insegura, mas decidida e contundente.

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