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Estrelas mudam de lugar: a noite de festa do Prêmio APTR

 
Uma noite teatral inesquecível: a opinião foi unânime a respeito da cerimônia de entrega do prêmio APTR 2014, anteontem, no Imperator. A festa viu desfilar uma constelação de estrelas de fazer inveja ao céu. E contou com apresentadores ágeis, sensíveis, pródigos na arte de divertir. Claudia Raia foi a dama de honra exemplar, impactante já por seu vestido longo, vamp, vermelho. Ney Latorraca brilhou como mestre de cerimônias por sua extrema elegância e humor refinado.

 

A festa inovou em vários pontos do ritual. De saída, marcou um tento ao escolher um tema – as alianças, as parcerias em arte, por casamento, afinidade ou história de trabalho. A escolha levou ao palco sete casais teatrais para entregas os troféus. Ao mesmo tempo, já que se decidiu falar de amor, a noite se apresentou como uma homenagem ao Rio. Outro acerto foi o formato do texto do roteiro, que evitou descrever o ofício de cada uma das categorias premiadas, opção um tanto enfadonha para a plateia de especialistas.

 

Assim, após a abertura, em que uma projeção de imagens bem estruturada celebrou os 450 anos da cidade do Rio de Janeiro através da história do teatro carioca, os prêmios foram anunciados e entregues por pares ou casais teatrais. Cada par ocupava a cena com a missão de anunciar os indicados e os vencedores de duas categorias. A opção deu movimento à rotina de enumeração, ofereceu uma sensação de encurtamento da cerimônia e garantiu a presença no palco de figuras queridas do teatro carioca e brasileiro, inspiradoras. O ponto alto da noite foi a entrada exuberante de Vera Holtz, iluminada por um vestido prata de ofuscar a Via Láctea. Ao lado de seu parceiro teatral de sempre, Guilherme Leme, Vera arrancou um comentário de admiração de Cláudia Raia, ao qual respondeu com a tirada da noite: “Estrelas mudam de lugar…”

 

A plateia adorou a citação espirituosa e bem empregada – afinal, a APTR é a associação dos produtores teatrais do Rio de Janeiro e, entre os seus associados, a boa maioria é de artistas-produtores, estrelas que mudam de lugar para fazer o teatro toda noite acontecer. E nos emocionar.

 

Mas o momento Vera Holtz não foi o único a arrebatar os espíritos. A emoção começou logo no primeiro segmento, com a homenagem aos artistas que nos deixaram – e foi tocante em particular ao trazer à lembrança Lucia Coelho, Odete Lara, Claudio Marzo e Maria Della Costa – ela, que completava dois meses de falecimento no dia mesmo da festa. Um Ney Latorraca grato e emocionado prolongou a celebração da obra da grande estrela, com a qual teve a oportunidade de atuar. Os galãs de verdade são sempre galãs, nos mostram a grandeza da vida.

 

E galanteio, aliás, foi uma palavra pequena para descrever, no meio da cerimônia, o tom maior que dominou a consagração da grande homenageada da noite, a deslumbrante atriz Glória Menezes, num impecável figurino preto, muito emocionada e plena de energia vital aos oitenta anos, 55 de carreira. Após o anúncio e a projeção de imagens dos feitos de sua trajetória, ela agradeceu sob forte emoção e recebeu uma surpresa – foi chamado ao palco o seu companheiro de 51 anos, Tarcísio Meira. A cena foi uma rara peça de beleza sentimental: um ato de amor sincero do galã dos galãs à sua amada. E, em luta com a emoção, ele recorreu ao galanteio que ouvira de um fã exaltado da esposa, no aeroporto, pronunciado depois de ceder passagem à atriz, mas não sem antes frisar que não abria mão de ser reconhecido como o fã número um – “A você, pelos muitos sonhos, muitas lágrimas e muitas alegrias que os seus personagens me trouxeram.”

 

Sim, foi uma noite completa, impecável. Além da alegria de festejar o teatro, homenagear nossos talentos, saudar nossos ícones e relembrar tradições da arte, a festa contou com música ao vivo de requintado padrão, ótima para dançar. Mark Lambert e sua banda desfiaram uma trilha eclética, com samba, bossa nova, choro, funk, MPB, pop, várias canções de homenagem à cidade maravilhosa.

 

Logo acabou, mas ninguém deve ficar triste. No discurso de abertura da solenidade, o presidente da APTR, Eduardo Barata, comentou a grandeza das conquistas do teatro carioca em tempos recentes – em destaque, além da saúde do prêmio, a vitalidade da APTR, feito importante de ser reconhecido publicamente. Não foram poucas as lutas para chegar nestes resultados. E, ao chamar ao palco os principais patrocinadores, a Secretaria Municipal de Cultura e a TV Globo, Barata não hesitou em perguntar ao Secretário de Cultura Municipal, Marcelo Calero, e ao representante da TV, André Dias, se a festa para o ano que vem já pode ser considerada uma realidade. A resposta foi positiva – cada um pode começar a polir a roupa de gala.

 

Em relação aos resultados, a premiação não concentrou as láureas em poucas produções. Sem dúvida se pode considerar que o espetáculo favorito, o musical Samba Futebol Clube, indicado em seis categorias, foi um grande vitorioso, ao receber os prêmios de Melhor Autor (dividido com Marcia Zanelatto, por Desalinho) e Melhor Espetáculo. Mas Beije Minha Lápide também recebeu dois troféus – o de Melhor Ator e o de Melhor Figurino. O júri foi composto por Bia Radunski, Daniel Shenker, Lionel Fischer, Macksen Luiz, Patrick Pessoa, Rafael Teixeira, Rodrigo Monteiro, Tania Brandão, Gilberto Bartholo, Reinaldo Ferreira, além do voto do colegiado da APTR. Apenas a categoria Melhor Produção é votada e escolhida pelos associados da APTR.

Veja a lista completa dos vencedores:
 
MELHOR AUTOR
GUSTAVO GASPARANI / Samba Futebol Clube
MARCIA ZANELATTO / Desalinho
 
MELHOR DIREÇÃO
CHRISTIANE JATAHY / E Se Elas Fossem Para Moscou?
 
MELHOR CENOGRAFIA
DANIELA THOMAS / Beije Minha Lápide
 
MELHOR FIGURINO
CAROL LOBATO / O Grande Circo Místico
 
MELHOR ILUMINAÇÃO
DANIELA SANCHEZ / Uma Vida Boa
 
MELHOR ATOR EM PAPEL PROTAGONISTA
MARCO NANINI / Beije Minha Lápide
 
MELHOR ATRIZ EM PAPEL PROTAGONISTA
DEBORA FALLABELA e YARA DE NOVAES
/ Contrações
 
MELHOR ATOR EM PAPEL COADJUVANTE
ISIO GHELMAN / A Estufa
 
MELHOR ATRIZ EM PAPEL COADJUVANTE
SOLANGE BADIN / As Bodas de Fígaro
 
MELHOR MÚSICA
TIM RESCALA / O Pequeno Zacarias – Uma Ópera Irresponsável
 
MELHOR PRODUÇÃO
O GRANDE CIRCO MÍSTICO
 
MELHOR ESPETÁCULO
SAMBA FUTEBOL CLUBE
 
ESPECIAL
FREDERICO REDER – Pela gestão do Theatro NetRio