Festival de Curitiba

As invenções de cena hoje

 
Ele está de novo no ar e a sintonia com o presente é total – o Festival de Curitiba vai acontecer em 2014 sob um formato propício aos tempos vividos hoje no país. Uma das palavras centrais para pensar a Mostra Oficial proposta é: diálogo. Pois é – tudo o que se busca atualmente, de norte a sul desta terra tropical. E um olhar rápido na grade, que estará em cartaz de 26 de março a 6 de abril, ilustra os vários caminhos que a dialógica pode seguir no palco brasileiro.

 

De saída, alguns diretores vão ilustrar as suas trajetórias a partir de pontos de vista diferençados, graças à presença de suas assinaturas em montagens diferentes. Isto acontecerá com Gabriel Villela, no palco com o Galpão, que apresentará o louvado Gigantes da Montanha, de Pirandello, e ainda Um réquiem para Antônio, de São Paulo, com Elias Andreato e Claudio Fontana. Outro diretor consagrado, Paulo de Moraes, assina a estreia nacional do novo espetáculo do Grupo Armazém, O Dia em que Sam morreu, e apresenta o potente musical Jim, em que Eriberto Leão eletriza a cena com uma visão renovada da obra de Jim Morrison e do conjunto The Doors. Ainda será possível ver o diretor Sergio Módena, um nome mais novo, pela primeira vez no festival, no premiado A Arte da comédia, de Eduardo de Filippo, ao lado da delicadeza revolucionária do Ricardo III, de Shakespeare, um monólogo de Gustavo Gasparani de forte densidade poética.

 

As referências cruzadas são extensas. Além da possibilidade de ver textos clássicos ao lado de atos de vanguarda, como a nova montagem de Gerald Thomas ou o lirismo contestador de Róza, de Martha Kiss Perrone e Joana Levi, outras dualidades instigantes serão oferecidas. Um exemplo forte pode ser apontado no mesmo texto Ricardo III, pois ele assinará presença em montagem paulista, convencional, com Mayara Magri e Chico Carvalho.

 

Já a chancela da Companhia dos Atores, conjunto a que pertence Gustavo Gasparani, em momento de revolução interna aos 25 anos de existência, marcará a edição do festival não apenas com a ousadia do monólogo shakespeariano do ator, mas ainda com os trabalhos pontuais, digamos, atorais, que sinalizam a saída de Kike Dias da direção do grupo. O maior destaque é Conselho de Classe, de Jo Bilac, uma obra de grande repercussão histórica, premiada com justiça em diferentes categorias, direção feminina (Bel Garcia e Susana Ribeiro) e elenco masculino, que vai fazer com que o grupo inquieto volte a provocar os espíritos da plateia, no melhor sentido de suas tradições.

 

Valerá a pena a ida ao teatro em Curitiba para ver ainda Quem tem medo de Virgínia Woolf, direção de Victor Garcia Peralta, com Daniel Dantas e Zezé Polessa. Ou A Toca do coelho, direção de Dan Stulbach, com Maria Fernanda Cândido e Reynaldo Gianecchini. Ou ainda o sublime Cais ou da Indiferença das Embarcações, de Kiko Marques. Ou então uma seleção respeitável de peças internacionais, um painel que reunirá desde Daniel Veronese até a Royal Shakespeare Company. Enfim, formas poéticas da sensibilidade brasileira – inclusive algo do que nos comove no teatro do mundo – estarão em formato teatral de impacto à disposição daqueles que amam a cena. A curadoria foi assinada por Lucia Camargo, Celso Curi e Tania Brandão, sob a presidência de Leandro Knopfholz. Vale examinar a grade com as ofertas, disponível logo abaixo e no site do Festival, e sonhar com o prazer de ficar entregue por uns dias às formas brasileiras de estar no palco. Ou de sonhar com a cena. Não dá para perder.

grade
Serviço:
23º Festival de Curitiba
Período: 25 de março a 6 de abril de 2013
Apresentações em vários teatros de Curitiba.
Preços: variados – de ingresso gratuito até R$ 60 (inteira).
Venda de ingressos: a partir de 07/02.
Para saber mais: www.festivaldecuritiba.com.br