GENTILE MARIA MARCHIORO POLLONI
Óbito dia 24/01/2015 às 16h30

 

 
O teatro brasileiro perde uma de suas maiores atrizes: Maria Della Costa. A sua carreira no palco, iniciada em 1944, foi marcada por uma notável multiplicidade – ela se projetou graças à atuação em grandes textos, de importância histórica notável, autênticos desafios teatrais, e alcançou forte sucesso popular com o desempenho em peças de impacto comercial, garantia para a sobrevivência de sua companhia.

 

Uma rápida lista dos seus trabalhos de maior repercussão atesta a grandeza da intérprete. Ela engloba textos tais como: Anjo Negro, de Nelson Rodrigues, Prostituta Respeitosa, de Sartre, Ralé, de Gorki, O Canto da Cotovia, de Anouilh, Com a Pulga Atrás da Orelha, de Feydeau, Mirandolina, de Goldoni, A Casa de Bernarda Alda, de Lorca, A Rosa Tatuada, de Tennessee Willians, Moral em Concordata, de Abilio Pereira de Almeida, A Alma Boa de Se-Tsuan, de Brecht, Gimba, de Guarnieri, O Marido vai à Caça, de Feydeau, Depois da Queda, de Arthur Miller, As Alegres Comadres de Windsor, de Shakespeare, Bodas de Sangue, de Lorca, Tome Conta da Amélia, de Feydeau, Motel Paradiso, de Juca de Oliveira, Alice que Delícia, de Bivar.

 

A atriz nasceu, no entanto, a partir de uma dádiva da natureza: logo cedo, Maria Della Costa se tornou célebre graças à sua beleza, um rosto deslumbrante aliado a um porte altivo e a um corpo escultural. Natural de Flores da Cunha,nascida em 01/01/1926, Maria mudou para Porto Alegre com sua mãe e na cidade foi descoberta por um caça talento da Revista Globo. A beleza da jovem conquistou Fernando de Barros, um especialista em beleza feminina, e o caminho natural foi o Rio de Janeiro das passarelas e do glamour. Estreou, assim, nos shows do Golden Room do Copacabana Palace e nos desfiles da Casa Canadá. O convite de Bibi Ferreira para que se apresentasse numa montagem de A Moreninha, de Macedo, permitiu o seu ingresso no teatro, que se tornou a grande paixão de sua vida. O palco fez com que recebesse todos os grandes prêmios e comendas do teatro e das artes do país.

 

Ao lado de seu segundo marido,Sandro Polloni, um amor para toda a vida, ela fundou em 1948 o Teatro Popular de Arte, no Rio de Janeiro, origem da Companhia Maria Della Costa, sediada em São Paulo, que se tornou, com a inauguração do teatro próprio em 1954, uma referência preciosa do bom teatro no Brasil. Para estruturar a companhia, o casal trouxe da Itália um dos maiores encenadores do palco nacional, Gianni Ratto.

 

A atuação da atriz era marcada por uma intensidade emocional absoluta e por exemplar generosidade: ao seu lado, se projetaram figuras que se tornaram nomes históricos. Maria Da Costa lançou atores como Fernanda Montenegro, Sérgio Britto, Ney Latorraca, e os diretores Ruggero Jacobbi, Gianni Ratto, Graça Mello, Eugênio Kusnet, Flavio Rangel e Jairo Arco Flexa. Além de grandes textos internacionais, a sua trajetória contemplou também autores brasileiros. No cinema, infelizmente a sua atuação foi tímida, mas na televisão registrou sucessos históricos com Beto Rockfeller e Estúpido Cupido.

 

A atriz faleceu aos 89 anos no Hospital Samaritano. Estava residindo no Rio de Janeiro, em Copacabana, desde 2011. Não teve filhos.


Fotos Anderson Rocha.