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O que mantém o Antunes vivo

“Antunes Filho morreu. Talvez se possa erigir uma placa em sua homenagem, com as datas 1929-2019. No entanto, a atitude será mera formalidade oca. Pois a figura de Antunes Filho persistirá, eco flamejante em cena, enquanto por aqui houver teatro. Ou será uma coluna românica seca, de pura pedra talhada imponente. Seja qual for a imagem atribuída ao diretor teatral, ninguém duvida deste raciocínio, ao que parece, mas… Será que será mesmo assim? Será que dispomos dos meios para imortalizá-lo? A pergunta incide sobre dois planos, a identidade do diretor e a nossa capacidade para reconhecê-lo, torná-lo imortal.

 

Em primeiro lugar, vale indagar a respeito do eleito. Quais são as razões para afirmar tal ruptura com o destino comum dos homens, afirmar a imortalidade de um mero diretor de teatro, profissão distante para boa parte da sociedade? Por acaso Antunes seria deus ou imortal? Qual a incandescência capaz de fazer com que ele queime rotinas habituais da vida para persistir entre os vivos, ser vagante em estado de eternidade?

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