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O belo e estranho quintal da arte

“Responda rápido: o que mantém o ser humano vivo? A resposta – como todas as respostas – dirá muito a seu respeito. Tenho certeza, contudo, que ao final de dois dedos de prosa você vai concordar comigo – o que mantém o ser humano vivo é a arte.

 

Sim, você vai argumentar que isto depende do sentido atribuído à palavra vivo. Por certo, não posso negar. Mas pense bem: se o ser humano está vivo, se a vida já acontece nele, ela está estável,portanto em equilíbrio. Mantê-la não será fruto de alimentos, água ou mesmo amor. Mantê-la será uma alquimia delicada entre a inteligência e a sensibilidade, uma forma para descrever… a arte!

 

Na dúvida, olhe pelo retrovisor do mundo, olhe a História. Não existe a menor chance de encontrar uma sociedade humana que tenha sobrevivido alguns pares de séculos ou milênios e que tivesse sido alheia à arte. Das formas mais simples às mais rebuscadas, este jeito delicado de estar às voltas com a vida nos persegue. Mais, até – nos explica, nos faz verdadeiramente existir, nos dá sentido. Nos mantém.

 

Suponho que a primeira família, na sua caverna sombria, ajeitou as pedras e as terrinhas fofas, os gravetos e folhas secas, e não foi para fazer travesseiro ou acender um foguinho amigo, foi para olhar para algo que lhe desse a emoção da beleza. Sobreviver significa ver o belo, para alternar entre a produção e a liberdade, o próprio sopro de vida. A arte é a liberdade de ser. Quando falamos que os brutos também amam, estamos falando um pouco disto; até o mais feroz dos bandidos em algum momento vai querer ajeitar o penteado, arrumar o topete e para isto vai evocar alguma arte, ainda que mínima.

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