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Um ilustre morto bem morto

 

Depois da grande ilusão do carnaval, passou o momento de sonho, tudo se acabou em cinzas e a quarta-feira não trouxe o teatro de volta. São poucas as estreias, algumas reestreias, escassas ofertas. Na verdade, a única estreia da semana vai acontecer na sexta, 23, no Centro Cultural da Justiça Federal.

 

A peça é um monólogo, curiosamente batizado com o nome Não Peça, de Lucília de Assis, direção de Bianca Byngton, interpretação da autora. A ficha técnica é alentada, pois conta com excelentes profissionais, mas é mínima. Não é uma exceção na temporada, o tom geral é este. Apesar da densidade dos trabalhos, as montagens são tímidas, muitas integram o bloco do eu sozinho. Vida que segue, teatro que fica.

 

Todos já sabem, mas vale insistir, anunciar alto e bom som, tentar pensar a respeito. O teatro morreu. Sim, especialmente aqui no Rio, vanguarda do país, morreu. E o cadáver rola por aí, insepulto, sem nenhuma Antígona corajosa disposta a fazer as honras fúnebres. Talvez nenhum cemitério queira recebê-lo. Em breve, o corpo apodrecido terá o tamanho do país.

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