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Titia Irma, Papai Offenbach: Senhores do riso, senhores do mundo

“Pode ser, querido leitor, que você acredite saber de onde veio. Talvez você ostente na cristaleira da vovó algumas comendas, medalhas e um brasão de família embolorado. Lamento, caro irmão de alma, mas tudo isto é falso, é mentira, vã ilusão. A poeira do tempo não protege a sua ambição de grandeza. Somos todos arrematados plebeus, anônimos cidadãos comuns de um vasto mundo, selvagens flanneurs de absurdas cidades. Somos filhos de Offenbach.

 

Portanto, respeite os seus ascendentes legítimos. Neste 20 de junho, faça discretamente uma reverência ao nosso grande pai – dance escondido na sala, ria dos poderosos, ouça uma canção divertida, mande Wagner passear e Brahms contar favas. Sim, nosso pai precioso está completando duzentos anos de nascimento e a data não pode passar em branco, deve ter força suficiente para sacudir ossadas e ideias, assim como ele fez com a humanidade, graças à sua vasta e bela obra, até morrer em 1890.

 

A data poderia passar em branco neste país tabula rasa. Mas não vai não. Além do furor que este criador desvairado provocou em nós, humanos, sabe qual o incontornável motivo que nos obriga, impõe inconteste a sua, a minha, a nossa homenagem? Muito simples: nós ignoramos, faz pouco, o centenário de morte de Artur Azevedo, a figura que mais profundamente compreendeu e conheceu Offenbach neste país. Imperdoável.

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