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O cenógrafo do infinito poético

Como se fosse um velho quadro construtivista, a cena brasileira se veste de preto e branco, o preto do luto e o branco da limpidez da alma infantil. A cena lamenta a morte, ontem, de um artista de absoluta dimensão histórica, requintada capacidade poética, Hélio Eichbauer (1941-2018). Ele foi um cenógrafo poeta, um artista capaz de indicar com rigor e fantasia, a um só tempo, o sentido mais sofisticado da arte da cena.

 

Estudante de filosofia com interesse por artes plásticas e teatro, personalidade inquieta, Hélio Eichbauer optou pelo estudo da cenografia no início dos anos 1960, depois de conhecer o trabalho do cenógrafo Josef Svoboda na Bienal de São Paulo. A fascinação o levou para a Tchecoslováquia, para estudar com o artista. Lá, conquistou uma formação clássica, de visão rigorosa da arquitetura da cena, fundada no abstracionismo monocromático. Os estudos envolveram a criação de maquetes como ponto de partida, aliada aos exercícios de criação fundados na composição gráfica, no desenho e na escultura a partir de repertório dramatúrgico convencional.

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