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A liberdade e a morte do amor

 
Você é livre, completamente livre, liberal inveterado, filho do paz-e-amor, um ser do amor total. Adora esfregar a sua liberdade na cara do mundo. Sua carta de alforria foi forjada nos idos de 1960. Mas o mundo, este paquiderme monolítico ancião, nem te liga, segue o mesmo. Ou quase.

 

Ou pior: será que a sua liberdade é liberdade mesmo ou acontece apenas como egoísmo hedonista? Será que ela massacrou pessoas, dissolveu compromissos afetivos antigos, que atavam os seres em preciosas cadeias, essenciais para a construção progressiva da vida? Perguntas corrosivas, inquietantes, diretas. Não, não é provocação. Não, elas não estão sendo lançadas ao ar pela direita burra conservadora. Por isto, é preciso ouvir. E pensar.

 

Este é o cálculo da dramaturgia ácida de Mike Bartlett, um jorro de ironia impiedosa que vai jogar a sua alma neste abismo. O autor está em excelente companhia – o Grupo 3 de Teatro, uma das melhores equipes teatrais brasileiras dedicadas, em profundidade, ao teatro de pesquisa atual.

 

Portanto, largue tudo, todos os seus amores descartáveis, e vá ao Oi Futuro do Flamengo conferir. Você vai adorar, vai esquecer sua entrega aos afetos vazios. Vai encontrar o amor eterno: a velha busca pela verdade, oferecida por um teatro de verdade. Nada consegue ser mais inebriante do que o teatro de verdade de nosso próprio tempo. Um luxo.

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