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Lei Rouanet: a aflição e a urgência

Um enigma: o brasileiro fez do teatro a sua arte mais querida. Não sob o modelo rebuscado pregado pelos doutos, mas segundo uma cartilha buliçosa e brejeira, ditada das ruas para a cena. No século XIX, o teatro – em particular o teatro musical – conquistou os corações por aqui. Aclamou personalidades criativas irresistíveis, grandes mestres no texto, e o melhor exemplo é Artur Azevedo (1855-1908), ou na cena, com seres desmedidos tais como João Caetano (1808-1863) ou o Vasques (1839-1892).

 

Ainda que João Caetano tenha sido um ator dramático, portanto necessariamente ligado ao teatro dito sério, vale lembrar que o seu tom era mais sentimental, mais exaltado e fervilhante do que o paradigma recomendado pela tradição acadêmica de contenção. O brasileiro tem alma barroca, ama o excesso, transborda por um desmedido. Pois o teatro seguiu por este caminho.

 

De gargalhada em gargalhada, de lágrima em lágrima, um mercado surgiu. No início do século XX ele estava ali, na Praça Tiradentes. E foi como pôde, aos trancos e barrancos, caminhando pelo novo século, o século do furor industrial, da explosão do consumo. Logo a vertigem fabril chegaria à produção cultural, a bordo do radio, do cinema e da televisão. O teatro foi saindo da dianteira, passou para o reboque. Vai retroceder mais?

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