Cartola 001 High-res version

Do mundo, toda a poesia: Cartola

 
Se você ama o Rio ou é carioca, lamento informar, mas você não tem opção: o seu lugar é no Teatro Carlos Gomes, a alma e o coração em estado de graça, para ver Cartola – O Mundo é um Moinho, de Artur Xexéo. A montagem, idealizada por Jô Santana, ainda que revestida por um curioso tom paulista, é um ato singelo de homenagem ao nosso grande poeta, talvez o maior poeta popular carioca, excelente versejador capaz de ver, além e adiante da vida mesquinha cotidiana, a poesia dilacerante que é o ato de existir.

 

O eixo da montagem é, aliás, a exposição deste milagre de arte comovente chamado Cartola. Negro, pobre, filho da cruel sociedade de exclusão brasileira, Cartola escreveu versos de uma beleza indescritível, absoluta, avassaladora. A vida que lhe coube foi aventura pesada, a miséria da favela e dos pequenos ofícios, penúrias vividas sempre com dignidade e elegância. Há, assim, uma envolvente magia na sua vida, magia reproduzida na montagem teatral. Traduzindo: na verdade, o homenageado em cena é você. Vejamos os porquês.

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