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Esta coisa estranha chamada Brasil

“Responda rápido, sem hesitar: você sabe exatamente o que é o Brasil? Você acredita que o Brasil existe? Do Oiapoque ao Chuí, você reconhece com muita clareza um chão pátrio que você chama de seu? Ou a sua alma está presa a um rincão, um ranchinho, uma aldeia amada, aclamada ou não, um grão de terra perdido nas tramas de um pequeno número de corações, aqueles que você no silêncio da noite chama sem peias de irmãos?

 

Estranha invenção ocidental esta, da pátria, da nacionalidade, de pertencimentos históricos obrigatórios tão bem sucedidos que sim, nos sentimos presos a tais artimanhas sem remédio. Somos brasileiros, por exemplo. Ou equivalentes – existem vários cadinhos similares pelo mundo. Não é raro na nossa contemporaneidade ecoar um brado de guerra e nós, voluntários da pátria, vibramos de furor contra o inimigo nomeado. Ele não é dos nossos, portanto merece deixar de ser gente, deve morrer, pim, pow. O soldadinho militar da infância nos visita, não hesita, e preparamos a arma, com um doce olhar.

 

As perguntas e as reflexões daí decorrentes são urgentes, prioritárias, em especial agora, em que parece que tudo é carnaval e que importa esquecer o que passou, o que acontece, o que nos inquieta e desafina nosso ser no dia a dia. Riso, alegria, confete, serpentina e muitos palhaços no salão varrem a estranha sensação de incômodo que baixou forte por aqui nesta nossa era de profunda crise. Há uma crise nacional e há uma crise do nacional.

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