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Uma noite de caranguejos

 
A entrega do 28º Prêmio Shell RJ nesta terça, no Teatro Tom Jobim, iluminou a noite de aparência chuvosa com a alegria de celebrar o teatro. O efeito grandioso foi realçado, no encerramento da festa, graças à aclamação da grande homenageada da noite, a celebrada atriz Fernanda Montenegro.

 

Apesar das sombras ao redor do país e da cidade, ditadas pela crise política e econômica, o clima de encontro elegante prevaleceu. Da decoração dos ambientes ao coquetel, passando pela cerimónia sintética, bem estruturada, objetiva, o que se viu foi uma congregação feliz, reunida ao redor dos valores projetados no ano teatral, um resultado bem recebido pela plateia. A festa do Shell tem a qualidade de ser mais intimista, mais um coquetel do que um evento de massa, condição que permite encontros mais intensos, ao redor dos artistas considerados destaques da temporada. A arrumação da plateia, com sofás e poltronas, ao lado de mesas convencionais, favoreceu.

 

Uma olhada rápida na lista dos indicados e vencedores revela uma inclinação curiosa do prêmio, associável à atmosfera de realização descontraída, jovem e empreendedora. A natureza jovial, confirmada este ano, transparece há algum tempo, indica a tendência para destacar a experimentação, a inovação e a pesquisa de linguagem. Grandes espetáculos ou montagens mais convencionais têm escassa participação nos resultados.

 

É bem verdade que o tom é circunstancial, não é deliberado, os prêmios teatrais existentes hoje no país não apresentam linhas conceituais definidoras específicas, diferenciadas. São, todos, láureas orientadas para situar os melhores do ano em cada modalidade.

 

No regulamento do Prêmio Shell, a indicação é direta: “O Prêmio Shell para o Teatro Brasileiro é destinado aos melhores profissionais de Teatro no país”. A repetição do tom mais direcionado ao experimentalismo, contudo, talvez possa levar à cristalização de uma partitura.

 

Assim, segundo o júri, os grandes destaques cariocas do ano foram os espetáculos Caranguejo Overdrive, do grupo Aquela Cia de Teatro, Salina, a última vértebra, da Companhia Amok de Teatro, e Krum, uma composição artística híbrida, reunião da atriz Renata Sorrah com a Cia Brasileira de Teatro e outros nomes da cena teatral contemporânea (Grace Passô, Inez Vianna, Cris Larin, Danilo Grangheia, Edson Rocha, Ranieri Gonzales, Rodrigo Bolzan e Rodrigo Ferrarin).

 

Vale destacar uma particularidade – o espetáculo da Cia Amok, um coletivo de forte inspiração francesa, causou impacto por causa da pesquisa da expressividade africana – ou afro-brasileira – a partir da incorporação de um elenco de atores negros dotado de extrema força dramática.

 

No saldo geral das vitórias, para a temporada de 2015, o grande destaque foi a superinventiva Caranguejo Overdrive, quase um misto de performance e dramatização, com quatro indicações e três prêmios. Em seguida, se destacou Salina, a última vértebra, também detentora de quatro indicações, mas com 2 prêmios. E por último, Krum, que só arrebatou duas estatuetas, apesar das três indicações.

 

A linha de aproximação com o novo pautou a noite. Esteve presente na atuação descontraída de Laila Garin, a mestra de cerimônias, vencedora da edição de 2014 por seu desempenho em Elis. E estruturou a fala de Glauco Paiva, gerente executivo de Relações Externas da Shell, responsável pelo discurso institucional de abertura.

 

O representante da Shell decidiu inovar e fugir do lugar comum das falas de patrocinador: homenageou os ganhadores da história do prêmio e todos os que participaram, ao longo da História, da construção do teatro brasileiro e carioca. Abriu espaço também para homenagear Leíse Duarte, gerente de Investimentos Sociais da Shell e coordenadora do prêmio, por seu extremo profissionalismo.

 

A passagem da abertura para a revelação dos vencedores trouxe ainda o anúncio de uma mudança do júri. Como processo habitual de renovação do conjunto, foi anunciada a saída de João Madeira e o ingresso da produtora Ana Luísa Lima, para o ano de 2016.

 

Em seguida, sob o formato convencional de enumeração dos indicados de cada categoria, apresentados pelo nome e por cenas de vídeo da obra, seguiu-se a rotina de revelação dos vencedores. Logo de saída, a categoria Música, concedida a Nei Lopes por Bilac vê Estrelas, prêmio recebido pela autora Heloisa Seixas, brindou a plateia com o vídeo da mais bela cena teatral da noite, provavelmente uma das mais belas cenas líricas da história do teatro brasileiro, quiçá de todos os tempos.

 

Trata-se da incrível sequência em que Olavo Bilac (André Dias, inspiradíssimo) sonha, flutua no céu azul da cena depois de cair desacordado com uma pancada na cabeça, canta e vê estrelas. Sonho de personagem. A inefável cena do seu delírio abre a noite para que nós, mortais embevecidos, vejamos um desfile de estrelas também, reais.

 

Para dizer que não temos sonhos na própria classe teatral, o vencedor anunciado em seguida, Paulo César Medeiros, um dos grandes poetas da iluminação do palco nacional, agradeceu muito o prêmio, comovido, e confidenciou um sonho ao redor do espetáculo que lhe fez conquistar o troféu, Santa Joana dos Matadouros, de Brecht. A direção, de Marina Vianna e Diogo Liberano, fez da obra um ato arrojado de reinvenção da cena, numa profunda reflexão sobre os efeitos da esmola, do clientelismo e das engrenagens do grande capital. O iluminador destacou a importância da peça em sua vida, pois estreou fazendo assistência de luz neste texto, ao lado de Aurélio de Simoni, o seu grande mestre, assinalando o fato curioso de ter tido, agora, como assistente na montagem, justamente a filha de Aurélio, Ana Luiza. Um sucesso de fala.

 

Mas a sua celebração mesmo – e ele pediu desculpas por se alongar tanto – foi o relato de um sonho, um sonho envolvendo as duas protagonistas das versões da peça, Camila Amado e Luisa Arraes. Juntos, numa espécie de aclamação da arte, eles andavam num belo cortejo pela cidade e paravam diante de casas preciosas, Teatro Villa-Lobos, Teatro Glória, onde alguns ficavam numa vigília, que duraria até a devolução dos espaços para a arte. Sim, a plateia foi ao delírio, e ele finalizou “às vezes as coisas que a gente precisa estão muito mais próximas do que a gente imagina…”

 

A categoria seguinte mergulhou a noite mais na luta direta, na Terra, mais longe dos fluxos etéreos. Os vencedores de melhor figurino foram Ana Teixeira e Stéphane Brodt, por Salina, a Última Vértebra. Líderes do grupo Amok, o casal mergulhou na pesquisa a respeito das cores, artesanías e traçados da África para compor uma cena de impressionante carnalidade. No agradecimento rápido, Stéphane, ainda senhor de uma fala de um afrancesado delicado, lamentou a doença da esposa, ausente, e agradeceu à equipe envolvida no trabalho.

 

A cena nua e crua marcou presença no prêmio de cenografia, arrebatado por Fernando Marès, responsável por Krum. A sua fala foi rápida, assim como o cenário da peça, uma concepção despojada, árida, uma cena de poucos elementos móveis, praticáveis, emoldurados pela luz ou manipulados pelo elenco.

 

Aliás, esta ideia de coletivo, ação compartilhada, integração, troca, concepção em harmonia, moeda forte nos espaços jovens de criação e na rotina dos grupos, soou forte com a volta ao palco de Stéphane Brodt, para receber o prêmio na categoria Inovação, atribuído à Companhia Amok de Teatro. O vídeo exibido, ilustrando o processo de seleção e treinamento do elenco negro para o espetáculo Salina, a Última Vértebra, deve ser qualificado de forma direta: comovedor. E comovedora foi a fala do diretor ator aclimatado no Brasil.

 

Stéphane Brodt destacou a importância da África, para a sua formação e para a história de encenadores decisivos com quem conviveu, como Ariadne Mnouchkine e Peter Brook. E chamou a atenção, não como denúncia, mas como toque esperto, do absurdo de termos um manancial notável de atores negros, no Rio, distantes da vida teatral, isolados da Zona Sul, sem dúvida um prejuízo sério para a expressão cênica da cidade.

 

A seguir, persistiu em cena o tema do coletivo. O prêmio para melhor autor, entregue a Pedro Kosovski, foi recebido com extrema emoção pelo jovem autor. A sua fala transformou o sentimento em incentivo ao trabalho de equipe: a sua peça Caranguejo Overdrive marcou a comemoração de dez anos de estrada de Aquela Cia. Diante do momento tenso da vida do país, Pedro Kosowski ressaltou a importância do modo cooperativo e não competitivo, do teatro compartilhado, feito de momentos de conversar e escutar, desejo de estar em sintonia.

 

A vitória do autor foi um trunfo para Marco André Nunes, laureado com a melhor direção, conquistada por seu trabalho também em Caranguejo Overdrive. Como ele subiu ao palco para receber o troféu em seguida ao autor, já extravasara um pouco da tensão, ao vibrar com a conquista do parceiro. Mesmo assim, o diretor estava uma chama viva de felicidade – agradeceu a premiação, louvou o autor, o elenco, o iluminador Renato Machado e denunciou que a equipe tem muito fôlego, ao assegurar que uma peça se completa ao permitir o nascimento de outras, oportunidade garantida pelo prêmio.

 

A cerimônia caminhou então para o clímax, com o anúncio do ator escolhido como melhor do ano, Danilo Grangheia, por Krum. O vitorioso intérprete confidenciou a existência de um caso de amor seu com o Rio, cidade onde teve o prazer de encontrar Renata Sorrah e Marcio Abreu, trio reunido na peça. E a ideia de reunião levou-o a citar Pedro Kosowski, para celebrar também a equipe da sua peça: no seu entender, tinha nas mãos um prêmio de elenco.

 

Na fala da grande vencedora da noite, a atriz Carolina Virgüez, as ideias de encontro, equipe, harmonia e coletividade transbordaram ainda mais fortes. Vestida com extrema elegância, Carolina Virgüez emocionou a sala – num português límpido, ela se declarou brasileira, apesar de ter nascido na Colômbia. E agradeceu aos alunos da Escola Martins Pena, por aprender tanto em seu convívio, aos caranguejos, por formarem uma equipe muito dedicada à arte. Dedicou o prêmio à mãe, que lhe ensinou a escolher a liberdade, e ao seu amor, Paulo Passos.

 

O encerramento solene foi o ato seguinte, a homenagem à atriz Fernanda Montenegro, por uma vida inteira dedicada ao teatro. Aplaudida de pé em triunfo pela sala, a atriz foi festejada por uma projeção de imagens da sua carreira e um texto de louvor. Em seu discurso de agradecimento, de tom espontâneo, leve, bem humorado, ela fez um paralelo interessante associando a idade, o tempo, a vida na arte.

 

Lembrou os 28 anos do prêmio Shell, ressaltou o significado desta continuidade para o Brasil. E associou o marco aos seus setenta anos de vida pública, que serão completados este ano, pois iniciou carreira na rádio, na época um lugar de cultura de extremo valor. Portanto, diante de sua vida, um prêmio jovem, uma plateia jovem.

 

A dupla inspirou logo o seu pedido de licença para garantir que existe uma geração entre os 80 e os 100 que, por incrível que pareça, frisou, está viva. E pronta para trabalhar, pois o teatro garante esta fantástica oportunidade, sempre oferece um papel para um velhinho. Confessou que gostaria de chegar a ser como Bibi Ferreira, sempre ativa e em cena.

 

“Eu não seria nada sem o teatro”, assegurou. E lembrou do companheiro de 60 anos, Fernando Torres (1927- 2008), um casamento de arte total, pois ela era uma mulher de palco, ele era um homem de teatro. “A fé que este homem tinha no teatro, os grandes sucessos de público e de teatro, eu devo a ele. Ele estaria com 88. Estou com 86”, completou.

 

Alegre como uma jovem diante de sua primeira grande noite no palco, olhos faiscando, Fernanda Montenegro agradeceu a beleza do encontro. E encerrou brincando com a própria elegância – estava impecável. Um terno preto, uma camisa de babados bege rosado, um broche cintilante daqueles de alegrar um baile, combinando com brincos também de “brilhinho”, desenhavam a silhueta de diva.

 

A promessa de chuva não aconteceu, a noite seguiu adiante banhada só em alegria de festejar o teatro. A festa prosseguiu num coquetel animado, decorado aqui e ali com as estatuetas seguradas com euforia por cada vencedor, uma escultura em metal do artista Domenico Calabroni. Cada premiado recebeu ainda um prêmio em dinheiro de R$ 8 mil. O júri do ano foi composto por Ana Achcar, Bia Junqueira, João Madeira, Macksen Luiz e Moacir Chaves. Na semana que vem, tem mais – em São Paulo.


Indicados SP – Indicados para o Prêmio Shell
 
Autor:
José Eduardo Vendramini por “Cartas libanesas”
Oswaldo Mendes por “Insubmissas”
Silvia Gomez por “Mantenha fora do alcance do bebê”
Vinicius Calderoni por “Ãrrã”
Direção:
Gabriel Villela por “A tempestade”
Rafael Gomes por “Um bonde chamado desejo”
Ulysses Cruz por “O camareiro”
Zé Henrique de Paula por “Urinal, o musical”
Ator:
Daniel Alvim por “Dias de vinho e rosas”
Daniel Costa por “Urinal, o musical”
Helio Cicero por “A tempestade”
Tarcísio Meira por “O camareiro”
Atriz:
Christiane Torloni por “Master class”
Clarice Niskier por “A lista”
Maria Luisa Mendonça por “Um bonde chamado desejo”
Taís Araújo por “O topo da montanha”
Cenário:
André Cortez por “O camareiro”
André Cortez por “Um bonde chamado desejo”
Attilio Baschera e Gregorio Kramer por “Vanya e Sonia e Masha e Spike”
Renato Theobaldo por “Master class”
Figurino:
Beth Filipecki e Renaldo Machado por “O camareiro”
Fause Haten por “Um bonde chamado desejo”
Gabriel Villela e José Rosa por “A tempestade”
Zé Henrique de Paula por “Urinal, o musical”
Iluminação:
Aline Santini por “Ludwig e suas irmãs”
Caetano Vilela por “Dias de vinho e rosas”
Domingos Quintiliano por “O camareiro”
Wagner Pinto por “A máquina Tchekhov”
Música:
Babaya e Marco França por “A tempestade”
Daniel Maia por “1 Gaivota, é impossível viver sem teatro”
Egberto Gismonti e Ricardo Severo por “Dias de Vinho e Rosas”
Rafael Langoni Smith e Laércio Salles por “O Camareiro”
Inovação:
Exposição “Máquina Tadeusz Kantor – teatro + happenings + performances + pinturas + outros modeos de produção” pela abrangência da linguagem artística, proporcionando conhecer o universo Tadeusz Kantor e o diálogo entre culturas.
Núcleo de Dramaturgia SESI – British Council pelo estímulo e formação de novos dramaturgos, favorecendo o intercâmbio de processos criativos na escrita teatral.
Oficina Cultural Oswald de Andrade pela ampliação e renovação no acolhimento de projetos de Artes Cênicas, com a plena ocupação de seu espaço por Grupos e Companhias de teatro, com uma ousada agenda cultural que potencializa a revitalização do bairro do Bom Retiro.
O Pequeno Teatro de Torneado pelo processo de integração, orientação e experimentação na formação de jovens na linguagem teatral, através do exercício crítico de cidadania, com o deslocamento e compartilhamento dos resultados de trabalho do coletivo em diferentes espaços de São Paulo.
Homenagem:
Antunes Filho pela construção de um teatro transformador e por seu papel na formação de profissionais do teatro.
Jurados de São Paulo: Carlos Eduardo Colabone (cenógrafo), Evaristo Martins de Azevedo (crítico de arte), Lucia Camargo (jornalista e curadora), Luiz Amorim (ator, diretor e gestor em produção cultural), Renata Melo (diretora de teatro e dança e coreógrafa).


LISTA COMPLETA DOS INDICADOS DO RIO DE JANEIRO 2015
 

Autor:
Diogo Liberano por “O narrador”
Pedro Kosovski por “Caranguejo Overdrive”
Beth Zalcman e Simone Kalil por “Brimas”
Paulo Betti por “Autobiografia Autorizada”
Direção:
Marco André Nunes por “Caranguejo Overdrive”
Renato Carrera por “Abajur lilás”
Ana Teixeira e Stéphane Brodt por “Salina, a Última Vértebra”
Marcio Abreu por “Krum”
Ator:
Gustavo Falcão por “Race”
Matheus Macena por “Caranguejo Overdrive”
Danilo Grangheia por “Krum”
Joelson Medeiros por “Madame Bovary”
Atriz:
Alessandra Verney por “Kiss me, Kate! O beijo da megera”
Carolina Virguez por “Caranguejo Overdrive”
Tatiana Tibúrcio por “Salina, a Última Vértebra”
Suzana Faini por “Família Lyons”
Cenário:
Paulo de Moraes e Carla Berri por “Inútil a chuva”
Fernando Mello da Costa por “O Pena carioca”
Daniela Thomas e Camila Schimidt por “Hora Amarela”
Fernando Marés por “Krum”
Figurino:
Carol Lobato por “Kiss me, Kate! – O beijo da megera”
Antônio Guedes por “O homessexual ou a dificuldade de se expressar”
Ana Teixeira e Stéphane Brodt por “Salina, a Última Vértebra”
Samuel Abrantes por “Eugênia”
Iluminação:
Maneco Quinderé por “Inútil a chuva”
Paulo Cesar Medeiros por “A Santa Joana dos matadouros”
Aurélio di Simoni por “Meu Sabá”
Renato Machado por “Madame Bovary”
Música:
Marcelo Alonso Neves por “Amargo fruto – a vida de Billie Holiday”
Tato Taborda por “Befles excêntricos”
Felipe Vidal e Luciano Moreira por “Contra o Vento”
Nei Lopes por “Bilac Vê Estrelas”
Inovação:
– Claudio Lins pela iniciativa de criar uma dramaturgia musical em diálogo com a obra de Nelson Rodrigues no espetáculo “O beijo no asfalto”.
– Luiz Felipe Reis pela multiplicidade de linguagens na abordagem cênica sobre a ação do homem nas transformações climáticas em “Estamos indo embora”.
– ‘Teatro Voador Não Identificado’ pela proposição de dispositivo cênico na montagem de “O Processo”, que revela o exercício dos atores em criação, além de atualizar a história de Kafka.
– ‘Companhia Amok Teatro’ pelo processo de seleção e treinamento do elenco para o espetáculo “Salina, a Última Vértebra”.