Sobre o poder dos homens

O que é o poder? Um abismo. Uma vertigem. Ou uma muralha? Uma muralha monolítica cheia de fendas ou portas ou passagens enigmáticas… O homem? E o que é o mundo dos homens, estes seres plenos de poder, desde o paraíso até o mundo conturbado de hoje, passando pelas cavernas ancestrais? Uma página de literatura?

 

As perguntas, diante da certeza do poder masculino, trazem um estranhamento, deslocam a reflexão para um desvio. De certa forma, pensar os homens é pensar o poder. Mas um poder precário, pois feito de carne e sangue, transitório: fragilidade. Um impasse. Logo o mundo masculino se expõe sob uma ótica de dúvida e oscilação, uma ótica alternativa, gay. Não dá para perguntar sobre o poder sem um deslocamento, uma fricção entre sujeito e objeto. O poder é o outro. O sujeito se nega, deseja apagar-se, para tentar entender o que existe.

 

É o universo de Caio Fernando de Abreu, em cena no bem sucedido espetáculo Homens, cartaz do Teatro do Jockey só mais esta semana. Você que ama literatura, ama fazer perguntas sobre a natureza do mundo, a natureza da existência e da arte, nem pense em deixar de ver. É imperdível.

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