Existe um custo Brasil que assombra os preços, tortura a vida econômica e maltrata o cidadão. Existe um prejuízo Brasil que impede sonhos, tritura almas e destrói vidas. O primeiro paira sobre todos, mas é invisível, ainda que soberano. O segundo é objetivo, despótico, imediato para todos os que nascem abaixo de certo meridiano social. A sua ação é tão virulenta que, em boa parte, ele é o gerador do primeiro, pois colabora de forma decisiva para a existência no país de uma sociedade marcada por extrema violência social, altamente injusta. Uma grande parcela da população brasileira nasce condenada à completa exclusão, como se não existisse um pacto social para a sobrevivência digna de todos, como se fosse natural existir uma sociedade da desigualdade. O espetáculo Favela, em cartaz no Teatro do Fashion Mall, aborda este tema de forma contundente, mas sedutora, teatral. Não há ressentimento nem baixo astral, apenas a sinalização de que tais condições sociais são inaceitáveis, são prejudiciais para o universo social de todos.

 

O texto de Rômulo Rodrigues apresenta uma estrutura dramatúrgica dinâmica, bem resolvida; concilia uma história de fundo com tramas paralelas expressivas, funcionais, pois colaboram para a progressão da ação. E são divertidas. Em cena, os protagonistas são dois jovens, primos, nascidos em uma favela e com escassas opções para construir uma vida digna.

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