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AVISO DE FERIAS

Então, persiste o texto – a coluna vai ficar de férias mais duas semanas, só retornará dia 15 de agosto, uma volta em homenagem especial a Nossa Senhora da Glória, que tantas festas recebia no Rio. Siga o caminho sinuoso das férias, mudança delicada no final…

Todos conhecem esta paisagem, não? Para muitos, é um dos recantos mais lindos do Rio de Janeiro. Desde que a conheci – eu estava então por volta dos 11 ou 12 anos – adoro contemplá-la. E acho divertido conhecer a sua história, perceber que ela vem de um Rio que foi completamente destruído.

Gabriel Duperré (c.!800- c.1855), 1835, Vista da Lagoa.

Pois é – a Lagoa Rodrigo de Freitas participa de um Rio que poderia ser navegável, um tipo de Veneza tropical. Quando olhamos atentamente o mapa do relevo da cidade, abstraindo todas as construções, podemos ver a justeza de seu nome. De certa forma, Rio ou Ria significa água. De janeiro, já sabemos, torrentes de verão.

Lagoa, Leblon, Ipanema, Copacabana… abraços com o oceano…

Dificilmente um carioca legítimo escapou de ficar à deriva, num autobarco súbito, entregue a uma daquelas formidáveis inundações típicas da cidade… Nelas, a lagoa some, caminha para o Humaitá, parece querer juntar-se ao oceano e nos levar, de carro, para a África.

Copacabana…

Pois se o projeto de ocupação colonial do Rio tivesse sido um pouco menos cego, um pouco menos obtuso, teria capitalizado esta potência aquática e hoje estaríamos de barco, para lá e para cá, entre morros e morretes fantasmas, rudemente destruídos, um grande número deles. De certa forma, sobrou da paisagem original quase que só uma casquinha e  a decoração…

Anos 1960…

Não sei de cor – mas vou fazer a conta de quantos rios e riachos soterramos, quantas colinas derrubamos, para acabarmos neste engarrafamento volta e meia aquático! Sim, esta missão cívica praticamente inútil apareceu na minha cabeça, ao lado destas divagações cidadãs. Então, conclui: canseira. Entrei nesta correnteza de ideias vazias por uma razão simples: preciso de férias.

Não sei se vou pegar o mapa para contar montes, vales e cursos d’água falecidos, confesso. Mas, por duas semanas, juro, vou descansar. E a coluna ficará parada aqui nesta declaração de amor à cidade, ilustrada com pedacinhos de história e um aceno discreto para o presente. Se você não pode tirar férias, não se acanhe, passeie nestas fotos.

Atualidade…

Vamos combinar: é importante fazer isto, namorar a cidade, fazer o inventário das perdas, ressaltar o que ficou. A frase …”o Rio de Janeiro continua lindo” não é apenas um verso solto de uma canção conhecida, é a constatação de um presente da natureza nem sempre festejado por nós. Então, afivelem os cintos, contem até três, mergulhem nas belas imagens e até já!

SERVIÇO:

FÉRIAS DA COLUNA – RETORNO: DIA 15 DE AGOSTO DE 2022.

Deseja diversão de qualidade? Pois não perca:

Nem só de Copacabana viveu a cidade – um programa para fazer em 1935? Corra, pegue a máquina do tempo!
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E você pode conhecer um canto divertido de amor ao Rio, assinado pelo brilhante autor de deliciosas revistas, Bastos Tigre (1882-1957). Confira: