A aldeia e o mundo, o cotidiano e o sonho: a oposição dilacera a alma de cada pessoa, define o espírito da espécie, assombra a vida do cidadão moderno. Se a vontade de partir acompanha o homem desde o primeiro nomadismo, quando era condição de sobrevivência, ela se tornou, após séculos de civilização e sedentarismo, indício de libertação, passaporte para uma vida de outra qualidade, manifestação de poesia essencial, existencial. O tema, referência preciosa para a arte moderna, é a mola propulsora da ação no novo texto de Walter Daguerre, A Mecânica das borboletas, uma fábula inspirada, dedicada a este impulso humano para buscar a transcendência, longe e além da terra, da origem. A peça é linda, emocionante, tão delicada quanto a vontade sublime…

